Como dar presentes
Dicas de presentes para comprar, fazer e criar
Eu estava pensando nos presentes que quero dar nesse fim de ano e na dificuldade recorrente de pensar algo novo e interessante para presentear. Não me considero uma especialista no tema, mas sinto que tenho alguma reputação. Gosto de dar presentes, pensar o presente com a pessoa, e variar os itens ao longo dos anos. Tem épocas que dou mais livro, ou mais objetos, ou mais utilitários, ou mais cartões. Tem época que não quero pensar em dar presente porque me gasto demais tentando chegar no mimo perfeito. Tudo vira tarefa. Me economizo dando algo meia boca e depois acabo remoendo aquele presente sem graça o resto do ano. Melhor desistir do que dar um presente que a pessoa não vai gostar? Presentes não são obrigatórios, nem precisam ser comprados.
Mantenho listas de presentes do que dar aos outros que vou alimentando ao longo do ano, com ideias que eles soltam sem querer. “Eu amo coalas” - anoto: presentear Ju com alguma coisa de coala - ou “Você sabe onde compro um caderno de receitas?” - respondo que não sei, que isso é tão anos 90, nenhum lugar deve vender mais, e anoto: procurar um caderno de receitas para Bruno.
Separei os presentes que costumo oferecer em categorias e venho orgulhosa compartilhar com vocês um pouco da minha sabedoria adquirida nessas décadas presenteando os outros.
Algo escrito a mão. O tempo, tão acelerado, ele passa assim, ó, *estala*. E as mensagens de zap vão se perdendo quando a gente troca de celular. Eu já recebi mensagens lindíssimas de parabéns no online, mas nunca tirei print para guardar. Perdi todos os depoimentos do orkut. É precioso parar por alguém e colocar naquela mensagem as suas palavras, seu gesto, seu garrancho. Escreva uma carta, um cartão, uma mensagem. Copie uma poesia, um meme, relembre como se conheceram e deseje mais momentos juntos. Conte um causo engraçado que viveram juntos que de outra maneira você ia esquecer.
Algo feito a mão. Se você souber alguma arte manual: um desenho, uma peça de crochê, um bordado, um marca-página de colagem, algum pequeno projeto de costura. Não precisa ser uma peça elaborada que vai demorar muitas horas para ser feita, um pequeno mimo feito a mão já é encantador para quem recebe. Se ficar com aquela estranheza do artesanal e a pessoa deixar o presente guardado numa gaveta até o dia que você visitar a casa dela (pode acontecer), eu tenho certeza de que ela vai pelo menos sorrir pensando no tempo que você dedicou.
Algo de comer. Uma cesta de café-da-manhã, chocolates chiques, panetones gostosos são presentes caros e infalíveis. Todos nós somos bichos que se alimentam diariamente. Dá um trabalho danado pensar em todas as refeições que nosso corpo e alma precisam pra funcionar. Quando esse presente vem como um banquete pomposo, nos sentimos amados e luxentos. Mas também não precisa gastar tudo isso. Se você for da cozinha, pode fazer você mesmo uma geleia, uma pastinha, uma caponata, um bolo, uma granola caseira.
Plantas e flores. Uma plantinha de sombra, um arranjo de flores para perfumar a casa, uma orquídea florida para embelezar a estante, um buquê colhido num jardim privado que você precise pular um muro. Cuidado: não é um presente para todo mundo e você não quer ser cúmplice de um plantícidio. Saiba ler seu presenteado e identificar se para ele toda erva daninha é flor. Pode ser que o presenteado não tenha um jarro de flores, nesse caso vale incluir no presente.
Livros. Tem de todo preço e pra todo gosto, até pra quem perdeu o hábito da leitura. Se você acha que a cabeça da pessoa está desesperadamente corroída pelo celular, talvez o presente que vai salvá-la da atenção encurtada seja uma boa história em quadrinhos. Um livro de tirinhas como Mumin, Calvin e Haroldo, Macanudo. Ou um livro de palavras-cruzadas, uma revista, uma zine.
Um álbum de fotos. Você também costuma viajar de férias e depois celebrar essa viagem com um carrossel de fotos? Ou pior, por 24 horas no stories? Ou melhor, nunca nem postá-las, guardando-as para sempre nos confins da sua galeria de fotos para nunca serem revisitadas? Sim para todas as anteriores? (Sim!) Você pode eternizá-las num meio mais durável que o digital, como um álbum de fotos em papel. Pode parecer que a nuvem e os discos rígidos de computador vão durar para sempre até os fins dos tempos, mas eu confio mais na resiliência e na tradição do papel. Assim, você também vai poder relaxar e aproveitar todas as nossas fotos que não são para as redes sociais.
Uma playlist. Voltando aos presentes que não custam nada, eu ainda tenho deliciosas mixtapes que ganhei de namorados e amigos que ouço de quando em vez para lembrar deles e daquele momento da minha vida. As playlists de recomendações que meu tocador de música faz pra mim são tão iguais ao que eu já escuto que não tem graça nenhuma. Uma curadoria de recomendações personalizada feita por um amigo que conhece seus gostos peculiares é muito mais especial.
Cadernos. Eu adoro comprar cadernos, e sempre tenho alguns à mão para presentear. Podem ser com capas de tecido, capas ilustradas, cadernos sem pauta, com pauta, pontilhados. Cadernos de receitas, cadernos para diário, cadernos para destruir. Esse ano foi mesmo o ano dos cadernos para mim, comecei três. Se não quiser presentear com um caderno em branco, você já ouviu falar do livro Uma anotação por dia, 7 anos de memórias? É o tipo de best-seller clichê que a gente gosta.
Um calendário 2025! Não terei vergonha de me autodivulgar na lista de presentes que faço na minha própria newsletter. Calendários são itens úteis para organizar a vida, e um calendário de parede com pinturas a guache temáticas são o item de decoração que sua cozinha/sala/escritório precisa. Ainda dá tempo de comprar, então corre lá se você se interessou!
Esses são alguns dos presentes que eu gosto de dar. Não fui muito específica, pra também não tirar a graça de ligar os pontos entre o presente e a pessoa. Sair pra passear por lojas atrás de um presente pra alguém e garimpar itens que lembram uma pessoa é também aprofundar nossa relação com ela. Ou garimpar músicas, palavras, fotos. Quando eu era adolescente eu gastava um tempo considerável fazendo presentes para minhas amigas. Fazia cartões elaborados, com desenhos e textos, fazia pelúcias, fazia vídeos, fazia playlists e escrevia looongas dedicatórias em livros. Sinto saudades de ter esse tempo, penso nele como um dos meus marcadores de felicidade. Ter tempo pra demonstrar meu carinho pelas pessoas.
Esse ano não sei se fui uma boa presenteadora (autocrítica). Estive muito ocupada e cansada demais para pensar em presentes legais. Dei alguns cadernos, dei livros, dei um bordado, dei flores, dei muitas ecobags Louca dos Hobbies e dei uma cesta de café-da-manhã. Listando assim, até parece que fui cuidadosa, mas em geral tive que resolver os presentes às pressas. Os aniversários acontecem todo ano, mas de repente eu era pega de surpresa pela chegada da data. Deixei de presentear pessoas que eu queria presentear.
Da outra ponta, ganhei livros, ganhei coisas feitas à mão, ganhei comida e ganhei abraços. Ganhei muitos bons presentes, que me fizeram sentir amada e compreendida. Ganhar um bom presente faz a gente se sentir amada, ganhar um presente acertado faz a gente se sentir vista. A pessoa enxergar em você algo que nem você tinha visto é mesmo especial.
Minha lista de presentes é personalizada, mas ninguém inventa mais a roda. Nessa época do ano você já deve ter visto uma ou outras listas de dicas de presentes por aí. Geralmente são longas listas de coisas pra comprar. Eu até gosto, mas cansam. Uma grande inspiração é a Sophie Lucido Johnson, que tem uma das minhas newsletters favoritas daqui (em inglês) e todo ano nessa época faz uma lista de presentes, incluindo presentes pagos com dinheiro e com tempo.
Talvez essa newsletter chegue em cima da hora pra quem quer presentear no Natal, ou bem na hora certa se sua hora é a última. Ainda dá tempo! E se não der, também não precisa. Sou contra rituais obrigatórios de presentes, embora tenha me envolvido em alguns. Nem tem dinheiro pra tudo isso. Gosto particularmente de uma prática que veio da minha família e faço com amigos há uns anos, o amigo sebo. É uma troca de presentes com o formato amigo da onça. Os presentes não são comprados e sim algo que estava parado na sua casa e pode muito bem servir para outra pessoa. Pode ser um presente que você ganhou e não combinou com você, uma roupa em bom estado, uma luminária que não combinou com sua sala mas outra pessoa pode adorar. Assim, colocamos pra rodar algo que está em bom estado e que até gostamos mas que não se encaixa mais em nenhum lugar na nossa casa. Eu adoro presentear com livros que gostei mas que sei que não vou reler. Pra quê deixar parado mofando na estante?
Essa é muito provavelmente a minha última edição do ano. Obrigada a todo mundo que ficou ou chegou por aqui. Depois de um longo hiato ano passado pra me adaptar ao retorno de Saturno, voltei aqui pra newsletter e foi muito gostoso escrever durante (quase) um ano inteiro. Obrigada pelos comentários, pelas curtidas, pelas respostas no email e obrigada também a você que me lê silenciosamente, mas tá aqui me lendo. Nem sempre consigo responder todo mundo, o ritmo da vida tem sido impiedoso, mas saiba que eu leio tudo que me escrevem, às vezes mais de uma vez. Às vezes respondo mais de um mês depois. A internet pode ser lenta. Vocês foram generosos comigo esse ano, e nisso fico genuinamente feliz. Ainda não decidi se foi um ano mais feliz ou mais ansioso, preciso fazer minha retrospectiva oficial pra pesar os prós e os contras. Com certeza foi um ano cheio!
Desejo boas festas para quem comemora, uma boa passagem de ano e muitas boas expectativas para o ano que começa. Eu tô ansiosa pra começar as minhas retrospectivas e pensar sobre o que espero do ano que vem.
Abraços,
Jana

















Eu amo dar presentes, pensar na pessoa, no que ela gosta, não gosta, precisa...vejo com um ato de amor e cuidado mesmo. Amei as sugestões, eu estava mesmo pensando em algo manual!
Eu sou uma leitora silenciosa, mas saiba que sempre pego uma xícara de café ou chá para ler uma edição tua, porque é a newsletter que mais me passa conforto. Uma das minhas favoritas! Feliz Natal e ano novo também!
Amei suas sugestões e a zine que abre o texto. Me considero parecida contigo no quesito presentear, mas nunca tive certeza se quem recebe fica feliz. Vejo que muita gente espera coisas grandiosas (caras) como presente e isso estraga (pra mim) todo o conceito em presentear. Enfim… Um feliz 2025 e que vc receba presentes tão legais quanto os que dá!